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domingo, 16 de janeiro de 2022
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sábado, 4 de julho de 2020
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sábado, 9 de maio de 2020
sábado, 4 de abril de 2020
sábado, 28 de março de 2020
domingo, 22 de março de 2020
sábado, 7 de março de 2020
domingo, 10 de setembro de 2017
SÓTÃO DA MEMÓRIA
MEU AMOR MINHA CIDADE
Meu Porto bordado a
ouro
Nas finas rendas do
Douro
Meu amor minha
cidade
Ó minha jóia em
granito
Que guardas em ti o
grito
Do teu povo à
liberdade
Do Bonfim à
Cantareira
Do Amial à Ribeira
Cada rua tem historia
Foi do “Ouro”
triunfante
Que partiu o nosso
Infante
A caminho da glória
Ó meu Porto
destemido
Que nunca foste
vencido
E adoras o S. João
E por lutares lado a
lado
Com o nosso Rei
Soldado
Ele deu-te o coração
A tua maior medalha
É teu povo que trabalha
Tripeiro mas com
vaidade
És nobre e sempre
leal
Deste o nome a
Portugal
Nossa senhora te guarde
Ermesinde/2014
Manuel Carvalho
Fim
segunda-feira, 4 de setembro de 2017
SÓTÃO DA MEMÓRIA
continuação
Depois
foram acabando as ilhas, Foi quando os bairros do Regado e do Agra, do Pio XII
e da Pasteleira, do Duque Saldanha e de Contumil, de S. Roque e do Cerco, foram
fazendo o S. João que as suas gentes levaram para lá. Até que mesmo aí, foi
lentamente acabando, hoje poucos bairros ainda fazem o S. João. Os carolas vão
morrendo e a malta nova não está para ter trabalho, prefere beber umas cervejas
e andar em fila indiana a correr pela baixa de martelinho em punho, ou assistir
a concertos do Abrunhosa ou dos Clãs, que pode cantar muito bem e até serem do
Porto, mas não cantam ao S. João como o “Mafra” cantava.
Nos
dias de hoje o S. João tornou-se mais cosmopolita e em alguns casos mais
selectivo. Sofisticou-se um pouco, mas continua a ser uma festa onde de ricos e
pobres convivem uma noite inteira de fraternidade e de festa. Uma coisa nunca
muda, porque este povo é teimoso e está agarrado ás suas tradições. Nessa
noite, (considerada por muita gente a mais democrática do mundo), da Praça da
Liberdade à Ribeira, da Sé ás Fontainhas, um mar de povo enche a cidade numa
madrugada ímpar no mundo, com a festa mais popular e solidária, numa
manifestação de alegria sem limites, esquecendo as politiquices e os problemas
que a vida tem por uma noite de festa e como diz o povo na sua sabedoria:“Tristezas
não pagam dividas”.
Mas a 25 de Junho... Já não
volta a ser a cidade que acordava com as vendedeiras do Bolhão e as peixeiras
na Ribeira, com os operários que corriam para as oficinas, ao som dos canudos
das fábricas, saltando do eléctrico ou montados nas bicicletas com a marmita no
quadro, fazendo esta cidade fervilhar de vida, não como hoje se tornou triste e
deserta. Apesar de ser património da humanidade, a cidade do Porto que já foi capital
do trabalho, da democracia e da liberdade será sempre a minha Cidade do Porto,
mais tarde escrevi esta letra para um fado que a Maria Augusta cantou:
continua
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
SÓTÃO DA MEMÓRIA
continuação
A
noite tinha sido uma alegria, até o cansaço chegar. Nós, os mais espigadotes,
tínhamos dado uma fugida até ao S. João do Paraíso, eu e o meu irmão, o Chico e
o Cocas. Estalamos “Pirilampos”, deitamos “Bichas-de-rabear” mas tínhamos que fugir
depois... A suar da correria, apesar das orvalhadas que caíam, íamos beber água
à fonte de Salgueiros. O Chico nessa noite, perdeu o relógio “Cauny” que o pai
lhe deu quando fez a quarta classe, chorava e adivinhava uma trepa das boas, tinha
sido comprado a prestações à Ermelindinha. Resolvemos no dia seguinte, irmos
todos falar ao Sr. Juvininho para que desculpasse o Chico.
Quando
o Zeca da Amélinha gritou era manhã:
«Olha o Noticias! Traz o concurso das
quadras!»
Levantei-me
e acordei o meu irmão, deitei água do jarro na pia e lavei a cara, a água
estava fria. O Cocas e o Chico já andavam na rua. Nessa Quarta-feira dia de S.
João, fazia parte do programa das festas uma “Corrida de sacos” e “Partir os
cântaros”. Para a corrida de sacos, estávamos todos inscritos, tínhamos até
treinado, o Cocas opinava:
«Não estiquem o saco, deixem-no com folga
para dobrarem melhor os joelhos ao saltar».
Alguns
caíam, rebolando rua abaixo com os sacos já rotos, era uma pândega. O Zeca
inscreveu-se para partir os cântaros barro, era o mais alto da malta. Os
cântaros estavam pendurados por cordas e cheios de água, outros tinham farinha
e só um tinha dinheiro que se espalhava ao partir. Era necessário não perder a
noção do espaço e orientar o pau até tocar de leve, e depois desferir um golpe
certeiro. Claro que a grande dificuldade, é que os olhos estavam vendados.
Nessa
tarde de S. João, ainda houve uma corrida de arco e gancheta, que o Toninho da
peixeira ganhou porque corria muito. Parece que ainda o vejo de número nas
costas, a correr pela Lapa acima, dar a curva na Travessa de Salgueiros com o
arco a saltitar no empedrado, entrar na rua da Gloria a travar na descida com a
gancheta ao contrario, e cortar a meta junto ao tasco da Sãozinha, mesmo
enfrente à minha porta.
Como
era lindo o S. João da minha na rua... Estávamos em 1959 e eu só tinha 11 anos,
e não acreditava se me dissessem, que um dia trocariam o alho-porro por um
martelinho de plástico, que as Fontainhas iam quase acabar, juntamente com as
festas dos bairros e das ruas... As rusgas? Só em concursos na baixa se
voltariam a ver.
continua
segunda-feira, 21 de agosto de 2017
SÓTÃO DA MEMÓRIA
continuação.g moravam basRegeneraçs,
Muito
mais tarde eu, o Quim manquinho e o Deolindo, líamos o “Avante” ás escondidas
no café Luar. Um a um íamos ao wc e guardávamos o jornal enrolado debaixo da
sanita. Até ao dia em que o Quim entrou no café a gritar com o Diário de Lisboa
na mão: «Acabou, puta que os pariu!
Estamos livres!».
Estávamos
a vinte e seis de Abril de 1974, cheios de medo e de incertezas do que estava a
acontecer. O Quim em Pedrouços, abriu a janela de casa de par em par com o
volume do gira-discos no máximo, para todos ouvirem o Manuel Freire cantar:
Não há machado que corte /A
raiz ao pensamento
Não há morte para o vento
/Não há morte
Mas
isso foi outra festa... Agora voltemos ao meu S. João.
No
palanque ao fundo da rua, junto ao fontanário, tocava a “Orquestra Boémia”. No
largo, enfeitado com uma teia de aranha feita em corda de festão e candeeiros
de arame com papel de seda, todos dançavam com alegria. Havia muita luz e um
cheirinho a sardinhas e pimentos assados no ar.
Os
rapazes de brilhantina no cabelo e olhos atentos nas raparigas que enchiam o recinto.
Elas de lindos sorrisos e vestidos aos folhos, outras mais atrevidas de saias
muito justas e blusas a tangerem os peitos ardentes de desejos.
A
Antonieta até uma flor no cabelo trazia, (como era linda a Antonieta!) Foi o
Eduardo que a convidou para dançar e não mais a largou toda a noite, (Como
devia ser bom, andar nos braços da Antonieta...). Já de madrugada, andava a mãe
dela, a Rosinha (tecedeira da fabrica de Salgueiros), à procura da filha.
Ninguém reparou que ela estava tão perto, aos beijos com o Eduardo num canto
escuro da “Ilha do Almeida”. Abraçada a ele com o peito a palpitar, os lábios
húmidos de beijos, o seio na mão dele, nos olhos a loucura de duas luas
brilhantes. Era noite de S. João, e quantas como a Antonieta, ainda haveriam
até o sol nascer...
As
fogueiras pela rua abaixo crepitavam e faziam curiosos bailados de sombras nas
paredes. Casais de namorados saltavam-nas com cuidado para não se queimarem nem
entornar a cafeteira do café, ou a grelha das sardinhas.
Rusgas
passavam com alegria, rancho de gentes dançando e festejando o S. João, vinham
do Monte Pedral, do Campo Lindo, das Barrocas, da Fontinha de outros bairros. Os
homens traziam ramalhos e balões, tocavam bombo, concertina, viola e ferrinhos
e as mulheres batiam com testos e panelas cantando:
Orvalhadas, orvalhadas,
orvalhadas
E viva o rancho das
mulheres casadas
E repenica, repenica,
repenica
O S. João a mijar em bica
Os
moradores da rua ofereciam vinho e sardinhas e broa a quem passava. A um grito
de alerta e tudo olhava o céu. «Olha o
balão!» E lá ia ele, como um sol na noite escura, levando mensagens de paz
e alegria, queimando as mágoas da gente numa emoção contida. Era a festa dos
afectos! Era a festa de S. João da minha rua!
continua
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